24.10.09

Conexões

Como que por providência me aparece Margarido. On Line não é sobrenome de Sílvio.
Dona Guajarina cuida das crianças pastorinhas.
Sílvio está fazendo um filme. Um filme pro Dalmir.
Dalmir é dos amigos de primeira grandeza. Que no lançamento de um meu livro chegou com garrafa e vinho.
Ah, quase mato meio mundo de inveja. Ter bem querer de Dalmir não é pra qualquer Experimental.
O filme que o Silvio está fazendo tem umas imagens feitas pelo meu bem querer Danilo.
Por causa do filme, fazia cinco dias que Sílvio Margarido não saia.
Dalmir foi se entrevistar na locação de Sílvio e ele pediu:
" pelamordideus me leva pra dar pelo menos uma volta no quarteirão"

e então
caminhou com o experimento pelo quarteirão
quem via de longe não sabia
os dois eram invenção

15.10.09

em tempo:

Caro Deus, muito obrigada.

12.10.09

ouro preto, senhores, é uma lindeza

4.10.09

é branca
e de enquando quer
berra

ao lado
uma àrvore frondosa
(sempre quis dizer frondosa)

é uma coisa doida isso
dela ruminar
(é como engolir o mundo)


às vezes a vaca olha com olhos de vaca
falsamente tristes


é branca
autosuficiente
cheia de carnes

homens nem servem pra bife
rumina a vaca

talvez me mude pra Pernambuco

há boa música lá

2.10.09

dos tanques

acordo junto com o dia
retiro o lixo
olho as plantas
uns copos já secos na pia
(guardo)

essas coisas corriqueiras tem me feito mais sentido
como se as coisas de casa fossem sempre coisa minha

de repente me vejo arrumando armários
(com flores no cabelo)

e é estranho ser feliz por isso

não me sinto só
apesar da geografia do apartamento

é como se houvesse uma habitação própria
(em cada quarto)

tenho pensado nessas mudanças todas
que me provocam

vou à feira e compro mamão
(nem gostava de mamão)

leio dois livros bons ao mesmo tempo
escolhidos pela cor
da capa
(vinho)

uvas tem tanto agrotóxico
dizem que maduram elas num pote de química
(me falaram)


não sei porque me veio a imagem de mulheres no salão
a aloirar cabelos

uma vez namorei um moço que queria ser astronauta
mas virou jornalista
(acho que por isso que o deixei)

não se pode gostar por muito tempo de quem desiste
eu não

vou fazer café e ver se é suficiente
meu estoque de pólvora

20.9.09

o conto, Teresa

desceu e pediu ao porteiro que comprasse sorvete.
por bilhete.
o porteiro olhou pra ela como se fosse o mais estranho ser daquela rua.
no bilhete dizia ainda da cirurgia, que a impossibilitava de falar.
é importante dizer que antes botou flores no cabelo. e um baton. vermelho.

não avisou os amigos que precisaria deles. nem a si mesma.
gostava da sensação de flores no cabelo,
por mais difícil que a hora lhe parecesse.

escrever ela podia. atender ao telefone, não.
'falar move a gente'
nem tanto, pensou.

olhou a parede de listras amarelas.
lembrou da frase do irmão:
'vc é um homem, ou um rato?'

a cirurgia era de juizo. os 4 dentes do juizo.
riu.
(com um pouco de medo.)
o que seria do próximo do capítulo?
se com todo o juizo já estava aqui,
imagina o que seria agora que desajuizada?
sentou-se em frente ao micro:

Caro Firmino,
ainda há tempo.

13.9.09

da Bienal

faz um belíssimo domingo hoje
fui à Bienal com uma das pessoas mais importantes da minha vida
Gregório Filho
contou histórias e livros
(contei dos meus)
poema também
...

um mercado de peixes
de peixes não
(peixes carregam rios na barriga)

...
corta-se os pedaços
(e depois frita-se)
coma devagar
mastigando aos pouquinhos

(devagar pode-se encontrar os rios)

3.9.09

Estado

a anarquia é a falta das boas tolices
Seu Zé planta couve e flores
é muito importante Seu Zé
não tem direito casa
mas planta flores
o Seu Zé

vê aquele bando risos
sonhos mendigos
não valem as flores
do Seu Zé
.

2.9.09

pra se ler em voz alta

e todas as coisas desse mundo
novo e velho
e dia e noite
coisas que me fazem querer outras
e de novo as mesmas
são tão repetitivas, Idalina
(...)

os ossos brancos do soldado enquanto há guerra

...

liberta-te escravo do que queres
desista

ah, tu não pode Idalina?
ou tú não quer Idalina?

as coisas todas se misturam no nada
e é preciso
partir

Paris?

Vagalumes lumes lumes lumes
lumes
lumes
lumes
lu-mes

a lógica ilógica do nada
você mora aqui?

depois você junta os pedaços das fitas
recolhe o lixo e se maqueia
começará a festa
você é a festa
Idalina

mas, não quero mais
não queres
não queres
não queres

és tão movida essa Idalina
conquista
e depois
(cansa)

16.8.09

Música pra nós






Fotos da menina-música Giselle, que me fez chorar.

Giselle Lucena viu um ipê amarelo, sentiu poesia, lembrou de um poema...e fotografou.

Contou essa história nos comentários do Varal de Idéias e depois me mandou. Chorei.

Giselle, minha amiga, muito obrigada.

Beijos, beijos

Wal
Para: Danúbio que gosta de azul
De: Wal que colore de amarelo

Rio de Janeiro, 16 de agosto de 2009.

Dan, estava aqui desarrumando as malas e olhei pras paredes da minha nova casa. Vim te escrever.
Você lembra que há uns meses atrás, cismei em ter um quadro de cortiça?
Tamanha foi minha cisma, que desmarquei viagem para ter um sábado livre e procurar o quadro.
Queria por fotos novas e antigas. Aquelas do sítio do pai e as do aniversário do Di.
Fui em quase todas as lojas de Copacabana, e não encontrei.
Noutro sábado, por teimosia, fui de novo. Achei.
Agora, Dan, olhando as paredes do meu quarto novo, veja só: uma delas é inteira cortiça!
...meu quadrinho ficou tão feio, e engraçado. Lembrei da mãe, de tudo que sempre me diz. Ela está certa, Dan.
O prédio onde moro chama-se Laranjeiras, a rua e o bairro também.
Me disseram que é pra eu nunca me perder. Achei graça.

Mas você sabe...do meu primeiro poema publicado. A personagem disse que pregaria garrafas de fantas num ipê, se nele não nascessem laranjas.

Te amo,

Wal

22.7.09

dos etílicos e outros perigos (in)recomendáveis

talvez Clareana voltasse
pensou.
sentou-se sobre as pernas
próprias
(e impróprias)
quando devia correr.
(não foi)

naquela tarde em que viu Clareana
devia ter ido
(ficou)

- você pensa demais, Firmino.

impaciente com as pintas escuras na pele branca dela
Firmino olha.

carros estranhos
com vidas estranhas
fingem entender o que Clareana não vê.

- você entende?

- o quê?

19.7.09

intermediários

começamos a gravar. mas as condições de tempo e equipe
me obrigam a reescrever cenas.
a locação é muito boa, talvez quase a melhor.
(três ou quatro personagens me acordaram essa manhã)
o sul da Bahia há de chegar.

coloco pontos nos poemas.

coloco
os
pontos
nos poemas.

uma vontade de escrever uma carta
ou cantar num programa de rádio
(você sabe cantar?)

Petrópolis é uma cidade linda
parece com a que imaginei na minha infância
não fosse umas três ou quatro casas
que não pintaram

João Pedro de Bragança?
é nome de índio é?

o Rio de Janeiro torna as curvas mais nobres:
acidentou-se Maria Isabel no terceiro ato
e mais parecia
uma rainha



[vão expulsar Acreanos da Bolívia]